31/05/2015

Mercado Imobiliário receberá 22,5 bilhões para o SFH.

muito-dinheiro-300x225 O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou as regras dos chamados depósitos compulsórios, que são os recursos dos bancos que firam retidos na autoridade monetária, incidentes sobre a poupança com o objetivo de direcionar R$ 22,5 bilhões para novas operações do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), informou o Banco Central.

O Banco Central também informou que a alíquota dos compulsórios sobre depósitos a prazo será aumentada de 20% para 25% com retorno da remuneração integral desses depósitos à taxa Selic. Com o aumento, espera-se recolher a mais do sistema bancário cerca de R$ 25 bilhões, acrescentou a autoridade monetária. Essa alteração começa a vigorar em 31 de agosto de 2015.

Com isso, o que o Banco Central está tentando direcionar de um lado, para o crédito habitacional, está tirando de outro dos compulsórios sobre depósito a prazo. “Não vai representar um aumento da liquidez. A gente tem de manter a coerência com a política monetária [definição dos juros para conter a inflação]”, declarou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes.

Quem não emprestar fica sem remuneração

Segundo o diretor da autoridade monetária, não há penalidade explícita para os bancos que não cumprirem as novas regras. “Eles têm a escolha de deixar o recurso depositado ao mesmo custo da poupança, que é o que ele paga pelos recursos. Não ganha e nem perde. Fica empatado”, explicou Mendes.

De acordo com ele, os bancos não podem repassar esses créditos para outras instituições financeiras. “Vai ter de emprestar dentro da regra do SFH”, explicou ele. Segundo Mendes, do Banco Central, a decisão de os bancos emprestarem os recursos, ao invés de deixá-los esterilizados (sem correção) na autoridade monetária, é “empresarial”.

“Nenhum banco prefere deixar o recurso parado. É um recurso que custa caro. Não render nada é ruim para a rentabilidade. O que gente percebe e que há um esforço grande das instituições em deixar o mínimo possível parado, ou não rendendo nada. Mas as condições de mercado podem implicar que não consigam dar vazão a isso imediatamente”, afirmou ele.

Perda de recursos da poupança

O diretor do Banco Central informou ainda que essas medidas estão sendo estudadas há algum tempo e acrescentou que elas foram implementadas neste momento porque a caderneta de poupança tem registrado forte perda de recursos nos primeiros meses deste ano.

Os recursos da caderneta de poupança são usados no financiamento do crédito imobiliário (o chamado “funding”).

“Houve redução muito forte nos depósitos de poupança, que acabam sofrendo essa volatilidade. É uma questão conjuntural. Há momentos em que recursos são carreados em grande volume”, declarou Aldo Mendes, observando que as aplicações em poupança estão menos atrativas, em termos de rentabilidade, neste momento.

Entendendo o economês – Editorial Resumo Imobiliário

O depósito compulsório é geralmente feito através de determinação legal, obrigando os bancos comerciais e outras instituições financeiras a depositarem, junto ao Banco Central, parte de suas captações em depósitos à vista ou outros títulos contábeis.

Nesse caso, regula sobre a caderneta de poupança a Resolução 3.932 de 16 de dezembro de 2010, que disciplina o direcionamento dos recursos captados em depósitos de poupança, e deixa bem claro o que as entidades integrantes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) devem, percentualmente, fazer com os recursos:

“I – 65% (sessenta e cinco por cento), no mínimo, em operações de financiamento imobiliário, sendo

“a) 80% (oitenta por cento), no mínimo, do percentual acima em operações de financiamento habitacional no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH); e

“b) o restante em operações de financiamento imobiliário contratadas a taxas de mercado;

“II – 20% (vinte por cento) em encaixe obrigatório no Banco Central do Brasil; e

“III – os recursos remanescentes em disponibilidades financeiras e em outras operações admitidas nos termos da legislação e da regulamentação em vigor.”

Na reunião realizada pela CMN, em 28/05/2015, o percentual do depósito compulsório não foi alterado. O Banco Central liberou o uso de R$ 22,5 bilhões, entretanto reterá os depósitos a prazo correspondentes a este valor. Ou seja, houve uma concessão com caução futura. 

Fonte – G1 – Adaptado por Resumo Imobiliário.

Rafael Losch
Postado por: Rafael Losch

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